A presidenta Dilma Rousseff entregou, nesta terça-feira (13), no Cais do Porto, na capital gaúcha, 114 retroescavadeiras. A ação faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 2 em 126 municípios gaúchos. "Retroescavadeira significa estradas vicinais que, por sua vez, significam escoamento da produção rural", afirmou a Presidenta. Ela destacou a iniciativa como uma contribuição para tornar a agricultura familiar cada vez mais moderna e para assegurar que esse setor tenha uma infraestrurura e logística adequadas “para o que queremos: que ela se transforme no Brasil numa das maiores forças produtivas", declarou.
A cerimônia de entrega das máquinas marcou ainda o lançamento da Rede Brasil Rural, um inovador portal na internet para organizar todas as etapas da cadeia produtiva dos empreendimentos da agricultura familiar – da produção ao mercado consumidor. Dilma informou que a Rede é mais uma iniciativa para modernizar a agricultura familiar. "Uma ferramenta amigável que vai permitir aos fornecedores e aos agricultores acesso a melhores preços, a melhores condições de compra e possam usufruir de uma moderna tecnologia da informação", assegurou.
Ambas as ações são do âmbito do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). O ministro Afonso Florence avaliou o PAC 2 como parte do processo de afirmação da agricultura familiar na economia brasileira. "Ele faz parte da intensificação: apenas a população rural desses municípios representa mais de 411 mil agricultores e agricultoras que precisam escoar produção", disse.
A Presidenta declarou que, para materializar esse projeto nacional, é importante o engajamento dos prefeitos. “É preciso que eles estejam em condições de garantir o escoamento da produção”. Ela explicou que começou o projeto pelos municípios gaúchos porque “acreditamos que o Rio Grande do Sul sempre teve uma imensa força no cooperativismo, no associativismo e nas formas de agricultura familiar. Vamos levar para os outros estados essa questão fundamental que são as retroescavadeiras", prometeu.
O governador do estado, Tarso Genro, ressaltou que o olhar do governo federal sobre a região rio-grandense reflete o pensamento unânime de que é necessário integrá-lo ao processo de desenvolvimento, crescimento e distribuição de renda do Brasil. "Um olhar profundo para saber buscar na base da sociedade as energias necessárias para que o nosso povo emirja, trabalhe, crie, distribua renda e se afirme como protagonista de uma grande revolução democrática e social que está sendo feita no nosso País", declarou.
Rede Brasil Rural – No evento, o ministro do Desenvolvimento Agrário disse que "em um só tempo, fechamos e abrimos um ciclo: abrimos um ciclo de uma nova geração da agricultura familiar", comemorou. O ministro avaliou os oito anos de ampliação do crédito para o setor, de reestruturação da assistência técnica e da criação de mercados institucionais para a venda a produção.
Ele garantiu que a Rede Brasil Rural cria as condições para intensificar essas ações e aumentar a renda dos agricultores familiares. "O governo confirma a prioridade dada à agricultura familiar. Acreditamos que ela possa ampliar sua capacidade de garantir renda, da porteira para fora, nos negócios", declarou o ministro.
Nos próximos 60 dias, o MDA e os parceiros vão cadastrar fornecedores e cooperativas na Rede. "Nossa expectativa é atingir 1,6 mil cooperativas nos próximos meses, o que abarca mais de 200 mil famílias da agricultura familiar". Além de oferecer opções de transporte de cargas, compra de insumos e materiais para o beneficiamento da produção, a plataforma virtual cria um catálogo de produtos da agricultura familiar que facilita a compra pelo comércio, indústria, redes hoteleiras e mercados institucionais: o Armazém Virtual da Agricultura Familiar.
Por meio do Armazém, consumidores de todo o País poderão adquirir produtos exclusivos do setor. Em uma parceria inédita com o MDA, anunciada no evento, os Correios tornam-se os responsáveis pelo transporte da produção da agroindústria familiar. "Com a parceria do MDA, seremos o transportador oficial da agricultura familiar", destaca o presidente dos Correios, Wagner Pinheiro de Oliveira.
Parcerias para agilizar entrega de alimentos – A coleta e a entrega dos produtos pelos Correios são facilitadas pela recuperação e pela manutenção das estradas. As máquinas do PAC 2 somam-se à determinação do governo federal de fortalecer a produção familiar com ganhos de custo e eficiência. A Confederação Nacional dos Municípios (CNM) vai ajudar o MDA a identificar as demandas de máquinas dos municípios para garantir efetividade na ação.
"Essas máquinas são fundamentais para o interior do estado produzir e transportar alimentos para a população das cidades", reconheceu o prefeito de Erval Seco/RS, Gilmar Leschewvitz. O produtor de leite, em Cristal/RS, Matheus da Silva Nunes, ressalta a importância da ação do PAC 2."Para nós é fundamental fazer com que a nossa produção chegue na indústria e da indústria chegue no mercado".
As máquinas entregues no Rio Grande do Sul são o primeiro lote da segunda etapa do PAC 2. Outros 1.299 municípios brasileiros vão receber, até março de 2012, mais 1.287 máquinas, das quais 1.275 retroescavadeiras e 12 motoniveladoras. O investimento do governo na ação é R$ 1,8 bilhão em quatro anos.
A CMN também entra na parceria para ampliar a venda de produtos dos empreendimentos da agricultura familiar para o Programa Nacional da Alimentação Escolar (PNAE). A Confederação vai articular a participação dos municípios na aquisição desses produtos para a merenda. Cem por cento da merenda do município de Cerrito/RS é de produtos da agricultura familiar. O prefeito do município, José Flávio Vieira de Vieira, acha que o portal vai ajudar a prefeitura a identificar mais produtores. "Com a Rede Brasil Rural podemos diversificar a merenda, chegar a mais produtores, com transparência e uma prestação de contas ágil e eficiente".
A Lei da Alimentação Escolar prevê que no mínimo 30% dos recursos destinados pelo FNDE para a merenda sejam direcionados à compra da produção da Agricultura Familiar. Atualmente, municípios, estados e escolas ainda encontram dificuldades para encontrar produtores que atendam à demanda da merenda e os agricultores, por sua vez, às vezes, carecem de informações sobre abertura de processos de compras. A Rede Brasil Rural soluciona os dois desafios. Organiza a oferta de alimentos por tipo de produto, região, estado e município e divulga a necessidade de compras para a merenda.
Mapa vai ampliar comercialização – Outro instrumento da Rede que amplia a comercialização dos produtos é o Mapa de Ofertas da Agricultura Familiar, pelo qual consumidores públicos e privados encontram os melhores preços dos produtos que procuram por região do país e até por município. Para ampliar o mercado desses produtos, o ministro Afonso Florence assinou um acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH). A Associação vai desenvolver ações de divulgação de serviços e produtos da agricultura familiar para comercializá-los no mercado do turismo.
Pela Rede Brasil Rural os empreendimentos da agricultura familiar também poderão incrementar a produção por meio do Cartão do BNDES. O banco atende micro, pequenas e médias empresas, e com a Rede, passa a financiar a agroindústria familiar. "Vamos oferecer o cartão BNDES para os fornecedores, vários deles já cadastrados, e para as cooperativas também", explica o presidente do BNDES, Luciano Coutinho. O uso do cartão não se limita a itens ligados diretamente à produção, como equipamentos e insumos, mas amplia o poder de financiamento dos empreendimentos para a contratação de soluções de internet, mobiliário ou comunicação visual, por exemplo.
A Rede Brasil Rural vai ofertar produtos de 1,6 mil cooperativas. Uma delas, a Cooperativa Mista de Pequenos Agricultores da Região Sul (Coopar), sediada no município de São Lourenço do Sul/RS, recebeu da Presidenta e do ministro Florence o primeiro cartão do BNDES, operado pelo Banco do Brasil. O presidente da Coopar, Udo Tessmer, avaliou a iniciativa como fundamental para reduzir os custos da produção. "Ter uma lista de melhores preços de insumos em um único lugar e um recurso facilitado para comprar, nos ajuda a repassar com melhor preço para nosso associados", disse.
As indústrias também são parceiras da iniciativa. A Fiergs vai contribuir para ampliar o volume de vendas da indústria fornecedora de máquinas e insumos para os empreendimentos da agricultura familiar. A Rede vai oferecer um cadastro de informações para as indústrias sobre o mercado composto por agricultores e agroindústrias familiares e um sistema sobre a demanda das agroindústrias em relação a matérias-primas de origem agrícola e pecuária para facilitar a integração comercial dos empreendimentos familiares.
"A Rede Brasil Rural é muito importante para a indústria, por isso mesmo a Fiergs apoia totalmente a criação desses sistema", frisou o presidente da Fiergs, Heitor Müller. "A agroindústria precisa da agricultura familiar e vice e versa. E acreditamos que a Rede possa trazer uma ajuda importante para que a agroindústria posse se desenvolver e florescer", finalizou.
Fonte: Assessoria
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